[Concluindo, posso dizer...]

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Relato do indigente

Quatrocentos e tantos casos de pessoas que andaram cogitando se deveriam ou não mudar seus velhos hábitos. O vizinho mala do andar de cima que decidiu pegar o ônibus que passa mais tarde pra poder dar uma esticada a mais na cama; afinal são dias que pedem mais cama e mais sossego. 

As pessoas agora andam quase sempre correndo pelas ruas, com medo. Todo mundo tem medo da chuva. Todo mundo tem medo de alguma coisa.

Nesse percurso diário de quem andava passos acelerados e desapercebidos; e agora nesse último percurso de passos de desespero ele estende as suas mãos e o que tem? Nessas suas mãos o que você tem? Morte! Nessas mãos cheias de vermelho o que você vê? Vida escorrendo.

Iria voltar à sua vidinha de ser humano normal e lesado e distraído. Voltar a assistir os programas de tv com aquela cara de quem nunca passou nenhuma desgraça na vida. O veriam lendo algum gibi na banca de revista sem pagar, seria julgado por algum transeunte metido a observador que quando te vê diz que ali está um cara com sua cara de muita normalidade. E a gente tenta fingir que a normalidade está no seu auge ou que finalmente estamos voltando à nossa velha vidinha mais ou menos.

Morte. Nos seus braços ela tem, agora, um ser inanimado. No chão, o sangue escorre. Com ele escorrem sonhos de estarem juntos, seus planos e suas memórias. E tudo se vai pela sarjeta. Com sangue e com água salgada.

E a gente nessa de se deveria ou não...

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