[Concluindo, posso dizer...]

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Rio longo

Tempo pra quê?
Se tuas palavras gritam
Por todos os teus lados
Tentando serem lidas
À vista de homens cegos?

Morrem no vazio
Esperando a acolhida de uma mão
Sobem nos teus ombros
E te anunciam, alegres, a todos que passam.
Ninguém as ouve

Noite e dia te perturbam
Pulam, riem
Se arrastam cabisbaixas
Gritam com alta voz em lamentos dramáticos.

Melhor não arriscar calar
Guardado em caixas o que se precisa ler

Te seduziram e te puxaram os cabelos por dias
Soltas, fugiram feito doidas,
Desvairadas, de olhos arregalados
Sedentas a cumprir o seu propósito

Foi em vão o teu assentar
Tentando juntar pedaços
Tentando prender as que soltaste
Em vão, depois de soltas fogem pra nunca mais.
Melhor não abrir

Porém choraste e disseste: 
Melhor não arriscar calar
Melhor assim
Meus castelos agora os tenho
Minhas ruínas ao seu redor

Se abrir o rio é longo
Se fechar o rio é fogo
E eis o dilema
Entre palavrear e silenciar

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