[Concluindo, posso dizer...]

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As horas finais de um inverno


Disse que deveria de alguma forma ir pra um lugar bem gelado. 

E lá fui eu. Fiz o meu caminho no meio da neve. Caminhei alguns dias e, distante já alguns lugares, me assentei no meio do nada. Tirei o que tinha de roupa e fiquei ali sentindo aquele vento agonizante, esperando a noite chegar. Quando ela chegou, amontoei uns gravetos e fiquei observando por todo o tempo a cena de uma pilha de madeiras sem fogo nenhum, nem calor pra dar.

A expectativa sempre presente mas nunca satisfeita. A chance que tinha de acabar com meu martírio sem o querer. Eu me submeti.

Eu disse que deveria ir pra um lugar bem gelado.

Lá eu faria a minha casa no meio do nada.
No amplo chão gelado me sentaria só, esperando a noite chegar. Quando ela chegasse amontoaria uns gravetos e ficaria olhando, sob vento forte, até ranger os dentes de tanto frio. 

Fui e corri para lugares frios; sob o forte vento cerrei os dentes. Talvez o frio me force a buscar alguém que eu nem sei que necessito. Talvez o frio me force a querer o calor que sempre me ofereceram e eu costumo rejeitar.

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