[Concluindo, posso dizer...]

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Finais

Acabou

[Eu sento e penso: é aqui onde paro de escrever a nossa história
Aí eu pego aqueles papéis cheios de narrativas nossas e os jogo no lixo
Mas depois de um tempo os junto, desamasso, e volto a escrever
E os jogo no lixo outra vez, numa rotina que não quer ter fim]

Não é o fim, é apenas o começo
O recomeço; onde tudo que se viveu é revivido
Esse misto de desespero, alívio, tristeza e completude
Onde se busca o melhor culpado

Quando tudo termina não é o fim
É o começo de uma longa jornada
De pedidos de recomeço, de negações, de aceites
Esse sobe e desce que você sabe que deve acabar, mas não acaba

Onde você se passa por homem sem palavra, indeciso e moleque
Onde você morde a língua, porque disse que não ia mais ligar, e ligou
Onde você se vê traído pela sua própria vontade

De manhã você odeia, à tardinha sente saudade
À noite você tem memória curta, ao meio-dia é implacável

Depois de alguns finais, você descobre que o que vale mesmo são suas atitudes
Você abandona as palavras porque sabe que elas já têm pouca utilidade
E se entrega ao teste do silêncio e da distância
E depois de passar por esse teste
Aí sim você chega ao fim 

Romances terminam da mesma forma que começam:
Ninguém sabe ao certo quando

Não existe final, mas finais
As coisas não acabam
Elas vão acabando, acabando, e acabando
E quando realmente acabam você nem se dá conta